Situações de investigação adequadas à investigação por questionário; Objectivos, vantagens, limites e problemas do questionário; competências necessárias. Amostragem: população e amostra; métodos formais de amostragem; representatividade da amostra; dimensão da amostra
Princípios essenciais de medida
GRUPO 1 [Ana Dominguez, António Lima, Helena Marques, Joana Cancela e Teodora Costa]
Métodos de investigação [Natureza e objectivos]
Instrumentos de recolha de dados
Antes de fazer uma adordagem geral das diferentes técnicas de recolha de dados obtidas a partir da pesquisa efectuada, discutir as suas vantagens e procurar ver em que casos serão úteis, torna-se importante enquadrar os métodos de recolha de dados a partir de algumas considerações recolhidas na revisão da literatura disponível, a saber:
as técnicas ou métodos de recolha de dados são um instrumento de trabalho que possibilita a realização de uma pesquisa. Por outras palavras, um modo de se conseguir a efectivação do conjunto de operações em que consiste o método, com vista à verificação empírica – confrontação do corpo de hipóteses com a informação colhida na amostra;
a escolha dos métodos de recolha dos dados depende dos objectivos da investigação, do modelo de análise e das características do campo de análise;
antes de escolher é importante verificar a sua pertinência em relação aos objectivos específicos de cada trabalho, às suas hipóteses e aos recursos disponíveis;
anteriormente à construção do método de recolha de dados, há todo um trabalho prévio, conducente à definição de indicadores prescritivos das perguntas a colocar correlacionados com o quadro teórico de referência;
toda e qualquer técnica de recolha de dados apresenta vantagens e desvantagens de utilização. Cabe ao utilizador pesar umas e outras e, face a ambas, tomar as decisões e ter os respectivos cuidados;
a triangulação de diferentes técnicas de recolha de dados permite várias perspectivas sobre a mesma situação.
O que são métodos: . sentido lato - dispositivo específico de recolha ou de análise das informações, destinado a testar hipóteses de investigação (Quivy & Campenhoudt, 1992); . sentido restrito - a entrevista, o inquérito por questionário ou a análise de conteúdo são exemplos de métodos de investigação em ciências sociais (Quivy & Campenhoudt, 1992).
Segundo Quivy e Campenhoudt (1992) os principais exemplos de métodos de investigação em ciências sociais são: . entrevista; . inquérito por questionário; . observação; . Recolha de dados preexistentes: dados secundários e dados documentais. Estes têm de ser pertinentes em relação aos objectivos específicos do trabalho, às suas hipóteses e aos recursos de se dispõe.
Entrevista
1. O que é a entrevista? A entrevista é um método de recolha de informação. A interacção directa é uma questão chave da técnica da entrevista. Caracteriza-se pelo contacto directo entre o investigagor e os seus interlocutores e pela fraca directividade por parte do entrevistador. Ou seja, o investigador é um facilitador. Pode também haver uma entrevista exploratória, em torno das suas hipóteses de trabalho. Existem duas variantes, a entrevista semidirectiva (ou semidirigida), caracterizada por não ser inteiramente aberta, e não faz um grande número de perguntas precisas. E a entrevista centrada (focused interview) e que analisa o impacto de um acontecimento ou de uma experiência precisa sobre aqueles que a eles assistiram ou neles participaram e não tem perguntas pré-estabelecidas.
2. Objectivos . Análise de um acontecimento; . Análise de um problema; . Reconstituição de um acontecimento.
3. Vantagens . Grau de profundidade; . Flexibilidade e fraca directividade.
4. Limitações . Demasiada flexibilidade; . Os métodos de recolha e de análise das informações devem ser escolhidos e concebidos conjuntamente.
5. Métodos complementares . O método de entrevista (em investigação social) está sempre associado a um método de análise de conteúdo.
Inquérito por questionário
1. O que é o Inquérito por questionário? Inquérito por questionário “consiste em colocar a um conjunto de inquiridos, geralmente representativo de uma população, uma série de perguntas relativas à sua situação social, profissional ou familiar, às suas opiniões, à sua atitude social, profissional ou familiar, às suas opiniões, à sua atitude em relação a opções ou a questões humanas e sociais, às suas expectativas, ao seu nível de conhecimentos ou de consciência de um problema, ou ainda sobre qualquer outro ponto que interesse os investigadores.” (Quivy & Campenhoudt, 1992)
Existem duas variantes: questionário de administração directa - o inquiridor completa o questionário a partir das respostas que lhe são fornecidas pelo inquirido e questionário de administração directa - o inquirido preenche o questionário, entregue em mão pelo inquiridor com todas as explicações necessárias. Também pode ser endereçado por correio ou qualquer outro meio, tornando-se num processo de pouca confiança e raramente utilizado.
2. Objectivos . Conhecimento de uma população enquanto tal; . Análise social de um fenómeno social que se julga poder apreender melhor a partir de informações relativas aos indivíduos da população em questão; . Casos em que que é necessário interrogar um grande número de pessoas e em que se levanta um problema de representatividade.
3. Vantagens . Possibilidade de quantificar uma multiplicidade de dados e de proceder a numerosas análises de correlação; . Exigência de representatividade do conjunto dos entrevistados pode ser satisfeita através deste método.Contudo, esta representatividade nunca é absoluta, não fazendo sentido para todo o tipo de perguntas.
4. Limitações . Peso e custo elevado do dispositivo; . Superficialidade das respostas e por conseguinte os resultados podem apresentarem-se como simples descrições; . Individualização dos entrevistados; . Carácter frágil da credibilidade do dispositivo.
5. Métodos complementares . Análise estatística de dados. Os dados recolhidos só são úteis após um tratamento quantitativo que permita comparar as respostas globais de diferentes categorias sociais e analisar as correlações entre variáveis.
Para que este método seja credível, devem ser preenchidas várias condições: . rigor na escolha da amostra; . formação clara e inequívoca das perguntas; . correspondência entre o universo de referência das perguntas e o universo de referência do entrevistado; . honestidade e consciência profissional dos entrevistadores.
Observação directa
1. O que é a observação directa? Método baseado na observação visual directa. “É um método de investigação social que capta comportamentos no momento em que eles se produzem e em si mesmos, sem medição de um documento ou testemunho” (Quivy, 1992). O investigador está presente e apercebe-se do aparecimento de novos comportamentos ou até mesmo de transformações no comportamentos já existentes. O investigador tem um campo de observação muito vasto que vai estar directamente relacionado com os objectivos do trabalho a desenvolver e das hipóteses formuladas. Este método de observação é orientado por uma grelha de observação previamente elaborada. Em investigação social, o método de observação pode distinguir-se em duas variantes: Observação participante -- tipo etnológico -- o investigador participa na vida colectiva do grupo que está a estudar--a validade baseia-se na precisão e no rigor das observações, bem como, no confronto entre observações e hipóteses interpretativas. Observação não participante -- processos técnicos formalizados -- o investigador observa do exterior de grupo que está a investigar. Pode ser concretização com ou sem conhecimento das pessoas envolvidas, tem um tempo de duração variável e pode ou não basear-se em grelhas de observação.
2. Objectivos . Análise do não verbal: condutas instituídas; códigos de comportamento; modos de vida; traços culturais; organização espacial do grupo ou da sociedade.
3. Vantagens . Apreensão de comportamentos e de acontecimentos em tempo real; . Recolha de informação de forma espontânea; . Autenticidade relativa dos acontecimentos.
4. Limitações . Dificuldade em o investigador se integrar no grupo; . Dificuldade no registo da observação que deverá ser efectuado após a observação; . Problema relativo às possíveis interpretações das observações.
5. Métodos complementares . Método de entrevista seguido de análise de conteúdo.
Recolha de dados preexistentes: dados secundários e dados documentais 1. O que é a recolha de dados pré-existentes? Consiste na recolha de documentos para os estudar por si próprios ou para encontrar informações úteis sobre outros objectos. Este método apresenta numerosas vantagens, mas também muitos problemas, que devem ser resolvidos de forma correcta. Apresenta duas variantes principais: a recolha de dados estatísticos e a recolha de documentos de forma textual. Com o desenvolvimento das TIC também os documentos audio-visuais podem constituir uma terceira variante.
2. Objectivos . Análise de fenómenos macrossociais, demográficos e sócioeconómicos; . Análise de mudanças sociais e do desenvolvimento histórico dos fenómenos sociais; . Análise da mudança nas organizações; . Estudo das ideologias, dos sistemas de valores e da cultura.
3. Vantagens . Economia de tempo e de dinheiro; . Permite evitar o recurso abusivo às sondagens e aos inquéritos por questionário; . Os documentos, geralmente, podem obter-se gratuitamente e a baixo custo (Igea et al.,1995); . Os documentos proporcionam informações sobre ocorrências passadas que não se observaram ou assistiram (Igea et al., 1995).
4. Limitações Prendem-se com o facto de: . nem sempre ser possível o acesso aos documentos; . os documentos podem não conter toda a informação detalhada (Igea et al., 1995); . os documentos podem ter sido forjados, alterados, falseados (Igea et al., 1995); . muitas vezes os investigadores não explicitam as ferramentas conceptuais e lógicas que usaram para chegar a determinadas conclusões sobre a realidade educativa estudada (Flores, 1994); . problemas de credibilidade de adequação dos dados à investigação.
5. Métodos complementares . Análise estatística; . Dados usados em análise histórica e em análise de conteúdo e acompanhados de pela análise de documentos relativos aos grupos ou aos fenómenos; . Dados usados na fase exploratória da maior parte das investigações em ciências sociais.
Figura 1 - Resumo Representativo das várias Técnicas/Instrumentos de Recolha de Dados
Referências:
Flores, J. (1994). Análisis de datos cualitativos - Aplicaciones a la investigación educativa.Barcelona: PPU.
Igea, D., Agustín, J., Beltrán, A. & Martín, A. (1995). Técnicas de investigación en cienciassociales. Madrid: Dykinson.
Quivy, R., Campenhnhoudt, L. (1992). Manual de Investigação em Ciências Sociais. Lisboa: Gradiva, 2008.
[GRUPO 2 - Alexandra Francisco, Joana Silva, Luz Encarnação, Paulo Santos]
Situações de investigação adequadas à investigação por questionário
Objectivos, vantagens, limites e problemas do questionário
Indubitavelmente, a instrumentação - as ferramentas utilizadas para se proceder à recolha de dados - apresenta-se como uma das dimensões centrais de qualquer investigação. O inquérito assume a designação de entrevista quando é realizado oralmente, sendo completado pelo entrevistador a partir das respostas do respondente, e a de questionário se for o próprio respondente a preenchê-lo por escrito (Trochim, 2006). Um questionário consiste numa “[s]érie de perguntas colocadas a um conjunto de indivíduos, geralmente representativo de uma determinada população, tendo em vista uma generalização das suas respostas.” (Jorge, 2011). Tal como afirma Jorge, nos questionários não são “os indivíduos, pessoalmente, que nos interessam, mas a possibilidade de retirar do que eles dizem conclusões mais vastas.” (2011). Portanto, numa investigação, o questionário pode ser elaborado com o objectivo de obter dados que permitam conhecer uma determinada população, formas de estar, valores ou opiniões (Quivy e Campenhoudt, 1999) a partir dos sujeitos de ma população. Ghiglione e Matalon (1993) referem ainda que o questionário permite “estimar certas grandezas absolutas”, ou seja, determinadas características veiculadas por um conjunto de indivíduos (leitura do mesmo jornal, aquisição de um dado produto, etc), ou de “estimar grandezas relativas”, como por exemplo, fazer estimativas para determinadas percentagens da população que poderão assumir determinado comportamento. Os autores apontam também para a possibilidade do questionário permitir verificar hipóteses, colocando em relação duas ou mais variáveis. ( p. 116). Grosso modo, tendo em conta a questão da representatividade, adequa-se a situações em que é imprescindível inquirir um número elevado de pessoas.
Vantagens
A realização de questionários possibilita a quantificação de uma multiplicidade de dados e, assim, presta-se a numerosas análises de correlação. A exigência de representatividade, não sendo nunca absoluta, pode ser satisfeita através de questionários Outras vantagens associadas ao questionário são:
a garantia, em princípio, do anonimato (condição necessária para a autenticidade da resposta);
a possibilidade de serem administrados a uma amostra da população em estudo;
não implicar uma resposta imediata;
poder ser relativamente barato (p. ex.: por envio pelo correio);
permitir generalizações;
facilitar a resposta a questões potencialmente embaraçosas;
possibilitar uma maior sistematização dos resultados obtidos, tornando-se mais fácil automatizar o processo de análise e tratamento dos dados;
Limites e Problemas
Para que efectivamente possa cumprir os objectivos, e na medida em que a sua concepção se reveste de alguma complexidade, a realização de questionários exige um planeamento rigoroso, havendo ainda que ter em conta possíveis condicionantes como:
fraquezas metodológicas de que quem elabora, aplica e faz o tratamento de dados dos questionários, que podem interferir na fiabilidade e credibilidade dos resultados obtidos;
para garantir a sua fiabilidade científica tem de ser “rigorosamente estandardizado, tanto no texto das questões como na sua ordem” (Ghiglione e Matalon, 1993, p.121);
não poder ser utilizado em certos estudos (não é aplicável a analfabetos e só o é, com reservas, a inquiridos com dificuldade de compreensão das questões);
pode ser inconveniente (o inquirido pode ler todas as questões antes de responder, o que poderá influenciar as suas respostas e enviesar os resultados);
nas perguntas abertas, poderá haver alguma superficialidade nas respostas;
pode dar espaço a respostas em grupo, o que subverte o objectivo do questionário;
só possibilita a introdução de dados suplementares através de perguntas abertas, que exigem análise de conteúdo;
a representatividade pode ser afectada pela dificuldade de recolher os inquéritos, já que nem sempre são devolvidos.
REFERÊNCIAS:
Ghiglione, R; Matalon, B. (1993). O Inquérito, Teoria e Prática. Oeiras: Celta Editora.
Jorge, I. (2011). Inquérito por questionário, disponível em http://meduc.fc.ul.pt/mod/resource/view.php?id=19962
Quivy, R; Campenhoudt, L. (1998). Manual de Investigação em Ciências Sociais. Lisboa: Gradiva- Publicaçõe. 2ª edição.
Trochim, W. (2006). Types of Surveys, Research Methods Knowledge Base, acedido em 10 de Fevereiro de 2011 http://www.socialresearchmethods.net/kb/survtype.php
PRINCÍPIOS ESSENCIAIS DE MEDIDA [Carla Pinguicha, Clorinda Agostinho, Helena Felizardo e Mari Rodrigues]
Construção de sistemas de observação com as qualidades adequadas
Segundo Bogdan & Biklen (1994) e Tuckman (2000), tradicionalmente, os métodos de recolha de dados tendem a ser organizados em três tipologias:
observação;
inquérito (assumindo a designação de entrevista quando é realizado oralmente e assumindo a designação de questionário quando é suportado por respostas escritas);
análise documental.
“A observação engloba um conjunto de operações através das quais o modelo de análise (constituído por hipóteses e por conceitos) é submetido ao teste dos factos e confrontado com dados observáveis.” (Quivy 2005, p. 155)
Segundo Quivy (2005, p.155), Para levar a bom termo o trabalho de observação é preciso poder responder às três perguntas seguintes:
observar o quê?
Devem ser recolhidos apenas os dados úteis à verificação das hipóteses, que Quivy (2005, p.157) refere como “dados pertinentes” para que se evite um volume excessivo de dados, dificilmente controláveis.
quem?
Circunscrever o campo de análises empíricas no espaço geográfico, social e no tempo, de forma clara. Deve seleccionar-se a amostra sobre a qual irá incidir a recolha e análise de dados, podendo ser a totalidade da população ou uma amostra representativa, caso a população seja demasiado volumosa. Existe ainda a possibilidade de se optar por uma amostra não probabilística, baseada em determinadas características da população, mesmo que não representativa da totalidade da mesma.(Quivy 2005, pp.157-161).
como?
Segundo Hair (2005), os dados observáveis são recolhidos com o registo sistemático da observação de pessoas, eventos ou objectos. Os dados observáveis podem ser obtidos pela observação humana, mecânica ou electrónica (2005, pp.152,153). Quer a observação seja directa ou indirecta, devem ser elaborados instrumentos de registo de informação requeridas pelas hipóteses e prescritas pelos indicadores (Quivy 2005, p. 164). Uma abordagem observacional resulta em dados narrativos - descrições de comportamentos por escrito ou em áudio e vídeo - ou numéricos - registo de eventos feito por um observador treinado com o uso de um questionário É necessário que se tenha atenção ao facto de que a informação que se recolhe depende da pergunta que figura no instrumento de observação, ou seja, existe uma interdependência entre a observação e a análise dos dados de um instrumento.
Explicitação dos pressupostos necessária à construção de um questionário
Antes de se iniciar a elaboração do questionário, é necessário um trabalho preliminar a desenvolver, que está relacionado com o planeamento, a consulta e definição exacta da informação que se quer obter, relativa ao tema a investigar. Segundo Jorge (2011, s.5), há pressupostos necessários à sua construção, pois a elaboração de um questionário deve ser um processo rigoroso, uma vez que dele depende a medição da maioria das variáveis da investigação, pelo que é preciso definir:
os tipos de questões a fazer;
os tipos de resposta adequados;
as escalas de medida a utilizar;
a apresentação, ensaio, distribuição;
a devolução dos questionários;
a forma como as respostas serão analisadas.
Deve-se verificar se já existe um instrumento disponível que se adapte às necessidades do estudo, antes de proceder à elaboração de um novo questionário.
Kornhauser e Sheatsley, citado em Hoz (1985), propõem 3 passos para a construção de um questionário:
1º Passo: Determinar a informação relevante, referente ao problema de investigação, através da revisão da literatura.
2º Passo: Elaborar as questões.
As questões devem ser adequadas, relevantes e devem encaminhar os sujeitos para que dêem as respostas adequadas. Deve ser definido o tipo de resposta, a hierarquia, o local onde são aplicadas, a sua duração, a pertinência e o interesse que possa suscitar nas pessoas que serão inquiridas. Estas variáveis são muito importantes, pois devem ser criteriosamente analisadas de acordo com a amostra que se vai inquirir. Quanto aos cuidados a ter na elaboração de um questionário (Ghiglione e Matalon, 2001:139) apontam para:
Escolher devidamente a amostra;
Controlar a estrutura lógica da questão (ex.: evitar as frases na negação);
Evitar que uma resposta possa ser dada por razões muito diferentes;
Em caso algum, introduzir duas ideias na mesma questão;
Não incluir certos termos carregados de afectividade, de juízo de valor e de conotações diversas modificam o sentido da questão e, portanto da resposta;
Garantir antecipadamente que a lista das propostas de escolha, entre várias respostas, cubra efectivamente todas as respostas.
De uma forma geral, segundo Sampieri (2005, p.326), são considerados dois tipos de questões:
Questões abertas
Neste tipo de questões o número de categorias de respostas é muito elevado sendo, em teoria, infinito, pois o inquirido responde livremente às questões.
Para que as respostas às questões abertas possam ser exploradas da mesma forma que as questões fechadas, como referem Ghiglione e Matalon (1993), é preciso codificá- las, ou seja, agrupar as respostas que terão sido recolhidas, num pequeno número de categorias que serão, de seguida, tratadas da mesma forma que as respostas às questões fechadas.
Questões fechadas
O inquirido responde dentro de determinadas possibilidades de resposta, mediante a apresentação de uma lista pré-concebida de respostas possíveis. Segundo Ghiglione e Matalon (1993), as questões fechadas podem ter várias formas e permitem uma análise estatística dos dados recolhidos. Já o uso de questões abertas obriga à análise de conteúdo, uma tarefa mais trabalhosa do que aquela associada às questões fechadas.
Vantagens e desvantagens
As questões fechadas são mais fáceis de codificar e de preparar para análise, pois favorecem uma maior padronização e uniformização dos dados recolhidos pelo questionário, do que no caso das perguntas abertas. As questões fechadas exigem do investigador uma antecipação das possíveis alternativas de resposta e que as mesmas sejam claras e do conhecimento e compreensão dos inquiridos.
As questões abertas, se bem que úteis quando não se tem informação suficiente para conceber as alternativas possíveis, ou para aprofundar uma opinião ou motivos de um comportamento, têm a desvantagem de serem mais difíceis de codificar, classificar e preparar para análise.
3º Passo: Aplicação de um questionário piloto ou pré-teste.
Assim, quando a primeira versão do questionário fica pronta, com a formulação de todas as questões e a sua ordem são fixadas, é necessário garantir que o questionário seja, de facto, aplicável e que responda efectivamente aos problemas colocados pelo investigador (Ghiglione e Matalon, 1993, p.172). O investigador deve-se interrogar sobre vários aspectos, sobre cada uma das questões, sobre o questionário na sua totalidade e às condições da sua aplicação. Como referem estes autores, ao efectuar um pré-teste do questionário o investigador tem acesso a dados sobre como são compreendidas as questões e as respostas, permitindo a sua reformulação, de forma a evitar erros, no entanto, não assegura a aceitabilidade do questionário na sua totalidade, nem a sua correcta adaptação às necessidades da investigação.
Necessidade da explicitação da medida proposta e dos processos de codificação
“Para aplicar um questionário, é necessário saber fazer análise estatística; as respostas só são úteis no âmbito de um tratamento quantitativo, que permite comparar as respostas globais e analisar as correlações entre as variáveis” (Jorge, 2011). Berelson (1952), a este propósito afirma que ”os estudos serão produtivos na medida em que as categorias sejam claramente formuladas e bem adaptadas ao problema e ao conteúdo a analisar”. Análise de dados Características do atributo a medir.
Pré-requisitosDe acordo com Quivy (2005) podemos:
definir variáveis;
classificar variáveis, (segundo uma escala de medição);
posicionar as variáveis no desenho do estudo;
definir e seleccionar adequadamente a amostra.
O Conceito Goetz e LeCompte (1984), afirmam que o estudo teórico/análise de dados é visto “como um processo cognitivo dedescoberta e manipulação abstracta de categorias e derelações entre essas categorias”.
Tarefas
Miles e Huberman (1984, citados em Flores, 1994), dividem a análise em três conjuntos de tarefas:
Redução de dados
Para Bogdan e Byklen (1994), os processos mais representativos são:
- Categorização pretende fornecer uma representação simplificada dos dados de modo organizados. O objectivo da investigação é transformar a informação obtida junto dos participantes em algo que seja interpretável, que tenha significado para o investigador: as chamadas categorias de análise.
- Codificação pretende tratar o material para se atingir uma melhor representação do seu conteúdo. A codificação corresponde a uma transformação, efectuada segundo regras precisas, dos dados brutos do texto que, por recorte, agregação e enumeração, permite atingir uma representação do conteúdo capaz de esclarecer acerca das características do texto.
Apresentação dos dados
Os procedimentos para a apresentação de dados dependem se a análise recorre à quantificação ou se é uma análise qualitativa (Flores, 1994). No caso dos questionários, pode ser feita sob a forma de uma matiz numérica, onde os valores de cada célula irão corresponder às frequências alcançadas nas diferentes categorias de cada unidade considerada, sendo essencial o uso de programas informáticos, através dos quais será realizada uma análise quantitativa dos dados (Quivy, 1995), utilizando-se para o seu tratamento a estatística inferencial.
Estatística inferencial é a designação atribuída ao conjunto de técnicas analíticas utilizadas para se identificar e caracterizar relações entre variáveis. Bailey e Gatrell (1995), Assunção (2001) entre outros, propõem como principais componentes:
• Teste de Hipóteses;
• Diagrama de Dispersão;
• Coeficiente de Correlação;
• Análise de Regressão;
• Análises de Séries Temporais;
• Análises Multivariadas.
Conclusões
Segundo Flores (1994), as tarefas de redução (categorias obtidas no processo) e apresentação de dados (numa matriz, quadro, figura, entre outros), permitem fazer afirmações que progressivamente avançam desde o descritivo ao explicativo e desde o concreto ao abstracto, pressupondo algum tipo de conclusões sobre a estrutura do estudo.
A Finalidade A análise de conteúdo pretende produzir inferência, trabalhando com vestígios e índices postos em evidência por procedimentos mais ou menos complexos (Franco, 2005, p. 25).
As qualidades das técnicas de medida “A parte referente à avaliação da tarefa concentra-se em duas características ou qualidades de todas as técnicas de medida, ou seja, a validade e a fidelidade” (Tuckman, 2000). A validade poderia ser definida como a adequação entre os objectivos e os fins sem distorção dos factos. Refere a qualidade dos resultados da investigação no sentido de os aceitar como “factos indiscutíveis”.
Tuckman (2000) refere dois tipos de validade:
Validade interna quando o “seu resultado está em função do programa ou abordagem a testar”;
Validade externa “se os resultados obtidos forem aplicáveis no terreno a outros programas ou abordagens similares”.
Para Tuckman (2000), a fidelidade dos resultados:
Refere o grau de confiança ou exactidão que podemos ter na informação obtida;
Deve ser independentes daqueles que os produzem;
Está ligada ao processo de codificação de que ele dispõe.
As estratégias básicas para a validade Merrian (1988), considerou para a validade interna:
Triangulação;
Verificação de plausibilidade ao se retomar os dados e interpretações para os sujeitos;
Recolha de dados durante um longo período e observações repetidas
Envolvimento dos participantes em todas as fases da pesquisa;
Esclarecimento da posição e orientação teórica do próprio pesquisador no começo do estudo.
A validade externa está directamente ligada à confiança nos resultados da investigação, a fim de ser possível generalizá-los. “A validade externa tem pouco valor sem um razoável grau de validade interna, dando confiança às nossas conclusões, antes de tentarmos generalizá-las”.
Todo este percurso implica uma reflexão e posterior divulgação.
Competências necessárias ao investigador
Um investigador deve possuir determinadas competências a fim de não comprometer a validade do seu questionário. Segundo Jorge (2011, s.12), a aplicação de um questionário exige que o investigador:
desenvolva um estudo aprofundado sobre técnicas de amostragem;
domine técnicas de redacção, codificação e exploração das perguntas;
saiba estimar grandezas;
domine programas informáticos de análise de dados;
possua conhecimentos de estatística descritiva e análise estatística de dados.
Por outro lado, um investigador deve ser uma pessoa determinada, pois na fase de elaboração de um pré-teste de questionário ou de uma entrevista, ele deve saber exactamente o que procura; deve garantir que as questões tenham o mesmo significado para os inquiridos e deve saber abordar os diferentes aspectos da questão. (Ghiglione e Matalon, 1993, p.115). Para além dos conhecimentos que deve possuir, o investigador deve ser uma pessoa sensata e experiente, dado que deve garantir a coerência no conteúdo das questões que formula e na sucessão de temas. Assim, a qualidade do questionário está dependente do saber-fazer do investigador: “Apesar da importância, a redacção do questionário continua dependente do saber-fazer e da experiência do investigador.” (Ghiglione e Matalon, 1993, p.122) Um investigador, de forma geral, é uma pessoa culta, mas não deve deixar que essa característica condicione a compreensão do questionário por parte dos inquiridos. Deve, como tal, recorrer ao uso de uma linguagem simples adequada à amostra. Contudo, a sua linguagem não deverá ser demasiado simplista, pois o seu trabalho poderá perder alguma credibilidade por parte dos entrevistados/inquiridos: “...as pessoas inquiridas consideram, geralmente o entrevistador como alguém culto, pelo que considerariam bizarro vê-lo empregar algumas expressões populares ou familiares, mesmo que estas façam parte da sua própria linguagem” (Ghiglione e Matalon, 1993, p.134). Acima de tudo, deve ser alguém que confia no seu trabalho e que detém uma postura objectiva, pois deve ser “confiante na sua razão e inclinação em utilizar estas capacidades mais do que em outras estratégias para responder a problemas, por exemplo, tomando decisões baseadas na Eevidência científica e respondendo aos valores e interesses dos indivíduos e sociedade”. (Banning, 2006)
Bailey, T.; Gatrell, A. Interactive Spatial Data Analysis. London: Longman Scientific and Technical, 1995. Badin, L.(1979). Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70. Berelson, B. (1952), Content Analysis in Communication Research, New York, The Free Press, 1952. Bogdan, R.; Biklen, S. (1994). Investigação Qualitativa em Educação.Colecção Ciências da Educação. Porto: Porto Editora Franco, B. Análise de conteúdo. 2. ed. Brasília: Líber Livro, 2005. Silva, E.L.; Menezes, E.M. Goetz, J. e Lecompte, M. (1984). Ethnography and Qualitative Design in Educational Research. Orlando: Academic Press, Inc. Ghiglione, R. & Matalon, B. (1993).O Inquérito - Teoria e Prática. (Tradução Portuguesa) Segunda Edição. Celta Editora. Oeiras Gómez, G.; Flores, J. e Jimenéz, E. (1999). Hair, Jr, Joseph F. et al. (2005). Fundamentos de Métodos de Pesquisa em Administração, Porto Alegre: Bookman. Jorge, I. (2011). Inquérito por Questionário. Acedido em 10 de Fevereiro de 2011 em: http://meduc.fc.ul.pt/file.php?file=%2F340%2Finvestigacao_por_questionario_1.pdf Quivy, R. e Campenhoudt, L. (2005), Manual de Investigação em Ciênicas Sociais, 4ª ed., Lisboa: Gradiva. Merriam, S.(1988). Case study research in education: A qualitative approach. San Francisco, CA: Jossey-Bass. Sampieri, R.; Collado, C. e Lucio, P. (2006). Metodologia de Pesquisa, 3ª ed., São Paulo: McGraw-Hill. Tuckman, B. (2000). Manual de Investigação em Educação (Tradução Portuguesa). Lisboa. Fundação Calouste Gulbenkian
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Grupo 4 ( Filipe Pereira, Helena Correia, Isabel Baia e Paula Martins) Amostragem População e Amostra
Uma população é uma colecção de unidades individuais, que podem ser pessoas, animais, resultados experimentais, com uma ou mais características comuns, que se pretendem
analisar.
Obs.
• Podemos também definir população como um conjunto de elementos abrangidos por
uma mesma definição.
• A cada elemento da população dá-se o nome de unidade estatística.
• O número de elementos da população designa-se por dimensão da população e representa-se por N.
• A dimensão da população pode ser finita ou infinita
Uma amostra é um conjunto de dados ou observações recolhidas a partir de um subconjunto da população.
Obs.
O número de elementos que fazem parte da amostra designa-se por dimensão da amostra
e representa-se por n .
Métodos formais de Amostragem
Segundo Neto ( 1977), um estudo de análise estatitisca envolve aspectos importantes sobre as formas de amostragem, sendo sempre necessário garantir que a amostra ou amostras que serão utilizadas sejam obtidas por processos adequados. Resumindo podemos dizer que é necessário garantir que a amostra seja representativa da população.
Sendo os problemas de amostragem por vezes mais ou menos complexos, dependendo das populações e das variáveis que se deseja estudar, existem dois tipos de amostragem, o probabilistico e o não probabilistico, de forma a ser possivel aplicar a qualquer estudo. A amostragem probabilistica tem como principal vantagem permitir calcular o erro amostral e a precisão da amostra obtida, baseando-se nos resultados contidos na própria amostra, no entanto a amostragem não probabilística é muito importante, pois possibilita a elaboração de um plano amostral, quando é impossível ou inadequada a amostragem probabilística.
Representatividade e significância das amostras
A representatividade de uma amostra é a condição mais importante numa investigação, nomeadamente quando se pretende generalizar os resultados obtidos com uma amostra à população. Para que tal generalização seja possível, é necessário que a população se encontre "reflectida" na amostra considerada. A representatividade de uma amostra numa investigação requer a salvaguarda de alguns princípios ou tem as suas exigências próprias:
( i) o conhecimento prévio das caracteristicas da população relevantes para o estudo em questão;
(ii) o conhecimento da distribuição da população por tais caracteristicas identificadas ( variáveis) e
(iii) a utilização de um procedimento correcto de amostragem
A possibilidade de calcular a tamanho de uma amostra é muito útil se queremos partir para o estudo com alguma confiança sobre a possibilidade de, no futuro, podermos extrapolar os nossos resultados para a população. Por outras palavras, a dimensão da amostra tem tudo a ver com a precisão dos intervalos de confiança que queremos vir a ter quando fizermos os nossos cálculos.
Nas Ciências Sociais é mais dificil definir a dimensão das amostra, devido ao facto de ser mais dificil definir quantos sujeitos deve possuir uma amostra para que a mesma seja significativa. Esse número deve ser compatível com a representação da população, ou seja, a amostra deve ser suficientemente grande para garantir a representatividade. Do mesma modo, o tamanho da amostra depende do número de condições ou variáveis em estudo. Por norma, sugere-se um número mínimo de 10 sujeitos por cada condição, aceitando-se também como consistente uma amostra de 300 sujeitos em estudos de validação de instrumentos com um número elevado de itens (nas análises estatísticas envolvendo a intercorrelação dos itens entre si tenderíamos a multiplicar o número de itens por 10 sujeitos).
A estimativa do tamanho da amostra pode ser feita tomando a definição prévia do nível de confiança e do erro de estimativa. Algumas tabelas permitem-nos determinar o tamanho da amostra e o nível correspondente de confiança face ao N da população. Para estimar o tamanho da amostra é necessário conhecer o nível de confiança que se quer que os dados possuam (geralmente opta-se por um nível de confiança de 95 ou 99%, e um erro de estimativa máximo de 5% ou 1%). De acordo com Krejcie & Morgan (1970) é possível ter uma estimativa do valor de n da amostra, conhecido o N do universo, para uma probabilidade de erro nunca superior a 5%. No quadro seguinte são sintetizados alguns dos valores para o tamanho da amostra em função do N na população.
Estimativa do n da amostra em função do N da população (adaptado de Krejcie & Morgan, 1970)
Neto,Pedro L. C.(1977) Estatística. Ed. Blucher Ltda
Krejcie, R. V., & Morgan, D. W. (1970). Determining sample size for research activities. Educational and Psychological Measurement, 30, 607-610.
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GRUPO 5 ( Alfredo Pinto, Edmaro Peres e César Barros)
Aplicação do questionário
Ferramentas de questionários através da Internet
Introdução O questionário é frequentemente utilizado na realização de estudos de investigação, em sondagens e em inquéritos. Na sua elaboração é necessário ter em conta a população-alvo e os riscos associados à utilização desta técnica de recolha de dados.
A elaboração de um bom questionário é uma tarefa complexa que requer a articulação de diversos factores, nomeadamente, as variáveis de investigação, os objectivos e as características da população. Outros aspectos importantes estão relacionados com o tipo de perguntas (pessoais ou que causem embaraço) a ordem e forma das mesmas (questões abertas/fechadas), tipo de vocabulário utilizado e instruções de preenchimento (devem ser breves e claras).
Quando se solicita a elementos da população-alvo, o preenchimento de um questionário poderão ocorrer situações que comprometam a fiabilidade das respostas devido a: falta de sinceridade, tendência a responder de forma uniforme a todas as perguntas, desconfiança relativamente aos verdadeiros objectivos do inquérito e existência de preconceitos favoráveis /desfavoráveis relativamente ao investigador e/ou ao tema em estudo, iliteracia (ou a incapacidade para perceber ou interpretar o que é lido), influência externa (pessoas/consulta de documentação e a proximidade de outras pessoas que possam exercer influência sobre o inquirido), escolha do entrevistador(es) pode ter que obedecer a algum critério.
Na sua aplicação também devem ser considerados factores relacionados com a aplicação do questionário, o local de realização do questionário, a forma de estabelecer o contacto (ou abordagem) e as vantagens e desvantagens da utilização do correio, electrónico ou postal para enviar os inquéritos e a forma de registo (áudio e/ou vídeo).
Os lugares
A aplicação de questionários ocorre em diversos locais: lugares de passagem, casas das pessoas, etc., com as condicionantes próprias de cada um desses lugares. Nos locais de passagem podem ser contactadas muitas pessoas, no entanto, são poucas as que aceitam responder aos questionários, porque estão geralmente apressados e em trânsito para as suas ocupações, residências, etc. Nos locais públicos (cafés e praças), existe uma maior disponibilidade embora falte a reserva necessária ao preenchimento dos questionários e ao esclarecimento de dúvidas. A realização do inquérito na casa das pessoas, embora seja recomendável, também, levanta dificuldades relacionadas com a falta de privacidade. Os locais de espera podem reunir boas condições para a realização do inquérito, embora, por vezes, a ansiedade das pessoas seja impeditiva da concentração adequada ao preenchimento do questionário. Nos locais de trabalho e depois de obtida a autorização da entidade patronal, a figura do aplicador do questionário pode ser associada à entidade patronal, o que pode prejudicar a espontaneidade e a sinceridade das respostas.
O contacto O contacto com os elementos da população-alvo, requer uma prévia preparação por parte do investigador de forma a que o aplicador do questionário possa resolver as diferentes situações que possam ocorrer. No estabelecimento do contacto o aplicador deve (poderá) esclarecer o participante sobre os objectivos do inquérito, as entidades promotoras do estudo, etc (depende se quem solicitou o inquérito pede anonimato, não deseja revelar a finalidade por motivos concorrenciais ou por razões cientificas). O contacto pode ocorrer de diferentes maneiras, desde a abordagem directa, na rua ou à porta da casa até ao aviso prévio através de anúncio por carta ou telefone/correio electrónico.
Questionários auto-administrados e inquéritos postais A entrega dos questionários através de email ou por correio postal tem vindo a generalizar-se devido às suas vantagens (economia, anonimato, etc). No entanto, esta metodologia está associada a uma baixa taxa de respostas e requer um cuidado acrescido com a linguagem utilizada e com as instruções de preenchimento. Outra forma de realização de inquéritos através de questionários consiste na elaboração de um questionário online utilizando as diversas ferramentas que se encontram disponíveis. Para além da GoogleDocs, encontram-se disponíveis as seguintes ferramentas para a criação de inquéritos online: Surveymonkey, Zoomerang, Surveygizmo, Questionpro, Magic survey tool , Survey Methods, Lime Survey , Thesis Tools e 2Ask . Face à crescente divulgação dos inquéritos online, Dillman et al. identificaram um conjunto de três critérios e de onze princípios que devem ser considerados na avaliação e elaboração deste tipo de questionários e que podem ser consultados no endereço: http://metinvestiga.wordpress.com/2010/03/04/principios-dos-questionarios-online/.
Referências Ghiglione, R., & Matalon, B. (1993). O inquérito. Teoria e prática. Oeiras: Celta Editora.
GRUPO 1 [Ana Dominguez, António Lima, Helena Marques, Joana Cancela e Teodora Costa]
Antes de fazer uma adordagem geral das diferentes técnicas de recolha de dados obtidas a partir da pesquisa efectuada, discutir as suas vantagens e procurar ver em que casos serão úteis, torna-se importante enquadrar os métodos de recolha de dados a partir de algumas considerações recolhidas na revisão da literatura disponível, a saber:
O que são métodos:
. sentido lato - dispositivo específico de recolha ou de análise das informações, destinado a testar hipóteses de investigação (Quivy & Campenhoudt, 1992);
. sentido restrito - a entrevista, o inquérito por questionário ou a análise de conteúdo são exemplos de métodos de investigação em ciências sociais (Quivy & Campenhoudt, 1992).
Segundo Quivy e Campenhoudt (1992) os principais exemplos de métodos de investigação em ciências sociais são:
. entrevista;
. inquérito por questionário;
. observação;
. Recolha de dados preexistentes: dados secundários e dados documentais.
Estes têm de ser pertinentes em relação aos objectivos específicos do trabalho, às suas hipóteses e aos recursos de se dispõe.
Entrevista
1. O que é a entrevista?
A entrevista é um método de recolha de informação. A interacção directa é uma questão chave da técnica da entrevista.
Caracteriza-se pelo contacto directo entre o investigagor e os seus interlocutores e pela fraca directividade por parte do entrevistador. Ou seja, o investigador é um facilitador.
Pode também haver uma entrevista exploratória, em torno das suas hipóteses de trabalho.
Existem duas variantes, a entrevista semidirectiva (ou semidirigida), caracterizada por não ser inteiramente aberta, e não faz um grande número de perguntas precisas. E a entrevista centrada (focused interview) e que analisa o impacto de um acontecimento ou de uma experiência precisa sobre aqueles que a eles assistiram ou neles participaram e não tem perguntas pré-estabelecidas.
2. Objectivos
. Análise de um acontecimento;
. Análise de um problema;
. Reconstituição de um acontecimento.
3. Vantagens
. Grau de profundidade;
. Flexibilidade e fraca directividade.
4. Limitações
. Demasiada flexibilidade;
. Os métodos de recolha e de análise das informações devem ser escolhidos e concebidos conjuntamente.
5. Métodos complementares
. O método de entrevista (em investigação social) está sempre associado a um método de análise de conteúdo.
Inquérito por questionário
1. O que é o Inquérito por questionário?
Inquérito por questionário “consiste em colocar a um conjunto de inquiridos, geralmente representativo de uma população, uma série de perguntas relativas à sua situação social, profissional ou familiar, às suas opiniões, à sua atitude social, profissional ou familiar, às suas opiniões, à sua atitude em relação a opções ou a questões humanas e sociais, às suas expectativas, ao seu nível de conhecimentos ou de consciência de um problema, ou ainda sobre qualquer outro ponto que interesse os investigadores.” (Quivy & Campenhoudt, 1992)
Existem duas variantes: questionário de administração directa - o inquiridor completa o questionário a partir das respostas que lhe são fornecidas pelo inquirido e questionário de administração directa - o inquirido preenche o questionário, entregue em mão pelo inquiridor com todas as explicações necessárias. Também pode ser endereçado por correio ou qualquer outro meio, tornando-se num processo de pouca confiança e raramente utilizado.
2. Objectivos
. Conhecimento de uma população enquanto tal;
. Análise social de um fenómeno social que se julga poder apreender melhor a partir de informações relativas aos indivíduos da população em questão;
. Casos em que que é necessário interrogar um grande número de pessoas e em que se levanta um problema de representatividade.
3. Vantagens
. Possibilidade de quantificar uma multiplicidade de dados e de proceder a numerosas análises de correlação;
. Exigência de representatividade do conjunto dos entrevistados pode ser satisfeita através deste método.Contudo, esta representatividade nunca é absoluta, não fazendo sentido para todo o tipo de perguntas.
4. Limitações
. Peso e custo elevado do dispositivo;
. Superficialidade das respostas e por conseguinte os resultados podem apresentarem-se como simples descrições;
. Individualização dos entrevistados;
. Carácter frágil da credibilidade do dispositivo.
5. Métodos complementares
. Análise estatística de dados. Os dados recolhidos só são úteis após um tratamento quantitativo que permita comparar as respostas globais de diferentes categorias sociais e analisar as correlações entre variáveis.
Para que este método seja credível, devem ser preenchidas várias condições:
. rigor na escolha da amostra;
. formação clara e inequívoca das perguntas;
. correspondência entre o universo de referência das perguntas e o universo de referência do entrevistado;
. honestidade e consciência profissional dos entrevistadores.
Observação directa
1. O que é a observação directa?
Método baseado na observação visual directa. “É um método de investigação social que capta comportamentos no momento em que eles se produzem e em si mesmos, sem medição de um documento ou testemunho” (Quivy, 1992).
O investigador está presente e apercebe-se do aparecimento de novos comportamentos ou até mesmo de transformações no comportamentos já existentes. O investigador tem um campo de observação muito vasto que vai estar directamente relacionado com os objectivos do trabalho a desenvolver e das hipóteses formuladas.
Este método de observação é orientado por uma grelha de observação previamente elaborada.
Em investigação social, o método de observação pode distinguir-se em duas variantes: Observação participante -- tipo etnológico -- o investigador participa na vida colectiva do grupo que está a estudar--a validade baseia-se na precisão e no rigor das observações, bem como, no confronto entre observações e hipóteses interpretativas.
Observação não participante -- processos técnicos formalizados -- o investigador observa do exterior de grupo que está a investigar. Pode ser concretização com ou sem conhecimento das pessoas envolvidas, tem um tempo de duração variável e pode ou não basear-se em grelhas de observação.
2. Objectivos
. Análise do não verbal: condutas instituídas; códigos de comportamento; modos de vida; traços culturais; organização espacial do grupo ou da sociedade.
3. Vantagens
. Apreensão de comportamentos e de acontecimentos em tempo real;
. Recolha de informação de forma espontânea;
. Autenticidade relativa dos acontecimentos.
4. Limitações
. Dificuldade em o investigador se integrar no grupo;
. Dificuldade no registo da observação que deverá ser efectuado após a observação;
. Problema relativo às possíveis interpretações das observações.
5. Métodos complementares
. Método de entrevista seguido de análise de conteúdo.
Recolha de dados preexistentes: dados secundários e dados documentais
1. O que é a recolha de dados pré-existentes?
Consiste na recolha de documentos para os estudar por si próprios ou para encontrar informações úteis sobre outros objectos.
Este método apresenta numerosas vantagens, mas também muitos problemas, que devem ser resolvidos de forma correcta.
Apresenta duas variantes principais: a recolha de dados estatísticos e a recolha de documentos de forma textual. Com o desenvolvimento das TIC também os documentos audio-visuais podem constituir uma terceira variante.
2. Objectivos
. Análise de fenómenos macrossociais, demográficos e sócioeconómicos;
. Análise de mudanças sociais e do desenvolvimento histórico dos fenómenos sociais;
. Análise da mudança nas organizações;
. Estudo das ideologias, dos sistemas de valores e da cultura.
3. Vantagens
. Economia de tempo e de dinheiro;
. Permite evitar o recurso abusivo às sondagens e aos inquéritos por questionário;
. Os documentos, geralmente, podem obter-se gratuitamente e a baixo custo (Igea et al.,1995);
. Os documentos proporcionam informações sobre ocorrências passadas que não se observaram ou assistiram (Igea et al., 1995).
4. Limitações
Prendem-se com o facto de:
. nem sempre ser possível o acesso aos documentos;
. os documentos podem não conter toda a informação detalhada (Igea et al., 1995);
. os documentos podem ter sido forjados, alterados, falseados (Igea et al., 1995);
. muitas vezes os investigadores não explicitam as ferramentas conceptuais e lógicas que usaram para chegar a determinadas conclusões sobre a realidade educativa estudada (Flores, 1994);
. problemas de credibilidade de adequação dos dados à investigação.
5. Métodos complementares
. Análise estatística;
. Dados usados em análise histórica e em análise de conteúdo e acompanhados de pela análise de documentos relativos aos grupos ou aos fenómenos;
. Dados usados na fase exploratória da maior parte das investigações em ciências sociais.
Figura 1 - Resumo Representativo das várias Técnicas/Instrumentos de Recolha de Dados
Referências:
Flores, J. (1994). Análisis de datos cualitativos - Aplicaciones a la investigación educativa.Barcelona: PPU.
Igea, D., Agustín, J., Beltrán, A. & Martín, A. (1995). Técnicas de investigación en ciencias sociales. Madrid: Dykinson.
Quivy, R., Campenhnhoudt, L. (1992). Manual de Investigação em Ciências Sociais. Lisboa: Gradiva, 2008.
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[GRUPO 2 - Alexandra Francisco, Joana Silva, Luz Encarnação, Paulo Santos]
Situações de investigação adequadas à investigação por questionário
Objectivos, vantagens, limites e problemas do questionário
Indubitavelmente, a instrumentação - as ferramentas utilizadas para se proceder à recolha de dados - apresenta-se como uma das dimensões centrais de qualquer investigação. O inquérito assume a designação de entrevista quando é realizado oralmente, sendo completado pelo entrevistador a partir das respostas do respondente, e a de questionário se for o próprio respondente a preenchê-lo por escrito (Trochim, 2006).
Um questionário consiste numa “[s]érie de perguntas colocadas a um conjunto de indivíduos, geralmente representativo de uma determinada população, tendo em vista uma generalização das suas respostas.” (Jorge, 2011). Tal como afirma Jorge, nos questionários não são “os indivíduos, pessoalmente, que nos interessam, mas a possibilidade de retirar do que eles dizem conclusões mais vastas.” (2011).
Portanto, numa investigação, o questionário pode ser elaborado com o objectivo de obter dados que permitam conhecer uma determinada população, formas de estar, valores ou opiniões (Quivy e Campenhoudt, 1999) a partir dos sujeitos de ma população. Ghiglione e Matalon (1993) referem ainda que o questionário permite “estimar certas grandezas absolutas”, ou seja, determinadas características veiculadas por um conjunto de indivíduos (leitura do mesmo jornal, aquisição de um dado produto, etc), ou de “estimar grandezas relativas”, como por exemplo, fazer estimativas para determinadas percentagens da população que poderão assumir determinado comportamento. Os autores apontam também para a possibilidade do questionário permitir verificar hipóteses, colocando em relação duas ou mais variáveis. ( p. 116). Grosso modo, tendo em conta a questão da representatividade, adequa-se a situações em que é imprescindível inquirir um número elevado de pessoas.
Vantagens
A realização de questionários possibilita a quantificação de uma multiplicidade de dados e, assim, presta-se a numerosas análises de correlação. A exigência de representatividade, não sendo nunca absoluta, pode ser satisfeita através de questionáriosOutras vantagens associadas ao questionário são:
Limites e Problemas
Para que efectivamente possa cumprir os objectivos, e na medida em que a sua concepção se reveste de alguma complexidade, a realização de questionários exige um planeamento rigoroso, havendo ainda que ter em conta possíveis condicionantes como:REFERÊNCIAS:
Ghiglione, R; Matalon, B. (1993). O Inquérito, Teoria e Prática. Oeiras: Celta Editora.Jorge, I. (2011). Inquérito por questionário, disponível em http://meduc.fc.ul.pt/mod/resource/view.php?id=19962
Quivy, R; Campenhoudt, L. (1998). Manual de Investigação em Ciências Sociais. Lisboa: Gradiva- Publicaçõe. 2ª edição.
Trochim, W. (2006). Types of Surveys, Research Methods Knowledge Base, acedido em 10 de Fevereiro de 2011 http://www.socialresearchmethods.net/kb/survtype.php
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GRUPO 3
PRINCÍPIOS ESSENCIAIS DE MEDIDA [Carla Pinguicha, Clorinda Agostinho, Helena Felizardo e Mari Rodrigues]Construção de sistemas de observação com as qualidades adequadas
Segundo Bogdan & Biklen (1994) e Tuckman (2000), tradicionalmente, os métodos de recolha de dados tendem a ser organizados em três tipologias:
“A observação engloba um conjunto de operações através das quais o modelo de análise (constituído por hipóteses e por conceitos) é submetido ao teste dos factos e confrontado com dados observáveis.” (Quivy 2005, p. 155)
Segundo Quivy (2005, p.155), Para levar a bom termo o trabalho de observação é preciso poder responder às três perguntas seguintes:
- observar o quê?
Devem ser recolhidos apenas os dados úteis à verificação das hipóteses, que Quivy (2005, p.157) refere como “dados pertinentes” para que se evite um volume excessivo de dados, dificilmente controláveis.- quem?
Circunscrever o campo de análises empíricas no espaço geográfico, social e no tempo, de forma clara. Deve seleccionar-se a amostra sobre a qual irá incidir a recolha e análise de dados, podendo ser a totalidade da população ou uma amostra representativa, caso a população seja demasiado volumosa. Existe ainda a possibilidade de se optar por uma amostra não probabilística, baseada em determinadas características da população, mesmo que não representativa da totalidade da mesma.(Quivy 2005, pp.157-161).- como?
Segundo Hair (2005), os dados observáveis são recolhidos com o registo sistemático da observação de pessoas, eventos ou objectos. Os dados observáveis podem ser obtidos pela observação humana, mecânica ou electrónica (2005, pp.152,153). Quer a observação seja directa ou indirecta, devem ser elaborados instrumentos de registo de informação requeridas pelas hipóteses e prescritas pelos indicadores (Quivy 2005, p. 164). Uma abordagem observacional resulta em dados narrativos - descrições de comportamentos por escrito ou em áudio e vídeo - ou numéricos - registo de eventos feito por um observador treinado com o uso de um questionário É necessário que se tenha atenção ao facto de que a informação que se recolhe depende da pergunta que figura no instrumento de observação, ou seja, existe uma interdependência entre a observação e a análise dos dados de um instrumento.Explicitação dos pressupostos necessária à construção de um questionário
Antes de se iniciar a elaboração do questionário, é necessário um trabalho preliminar a desenvolver, que está relacionado com o planeamento, a consulta e definição exacta da informação que se quer obter, relativa ao tema a investigar. Segundo Jorge (2011, s.5), há pressupostos necessários à sua construção, pois a elaboração de um questionário deve ser um processo rigoroso, uma vez que dele depende a medição da maioria das variáveis da investigação, pelo que é preciso definir:
Deve-se verificar se já existe um instrumento disponível que se adapte às necessidades do estudo, antes de proceder à elaboração de um novo questionário.
Kornhauser e Sheatsley, citado em Hoz (1985), propõem 3 passos para a construção de um questionário:
1º Passo: Determinar a informação relevante, referente ao problema de investigação, através da revisão da literatura.
2º Passo: Elaborar as questões.
As questões devem ser adequadas, relevantes e devem encaminhar os sujeitos para que dêem as respostas adequadas. Deve ser definido o tipo de resposta, a hierarquia, o local onde são aplicadas, a sua duração, a pertinência e o interesse que possa suscitar nas pessoas que serão inquiridas. Estas variáveis são muito importantes, pois devem ser criteriosamente analisadas de acordo com a amostra que se vai inquirir. Quanto aos cuidados a ter na elaboração de um questionário (Ghiglione e Matalon, 2001:139) apontam para:
De uma forma geral, segundo Sampieri (2005, p.326), são considerados dois tipos de questões:
- Questões abertas
Neste tipo de questões o número de categorias de respostas é muito elevado sendo, em teoria, infinito, pois o inquirido responde livremente às questões.Para que as respostas às questões abertas possam ser exploradas da mesma forma que as questões fechadas, como referem Ghiglione e Matalon (1993), é preciso codificá- las, ou seja, agrupar as respostas que terão sido recolhidas, num pequeno número de categorias que serão, de seguida, tratadas da mesma forma que as respostas às questões fechadas.
- Questões fechadas
O inquirido responde dentro de determinadas possibilidades de resposta, mediante a apresentação de uma lista pré-concebida de respostas possíveis. Segundo Ghiglione e Matalon (1993), as questões fechadas podem ter várias formas e permitem uma análise estatística dos dados recolhidos. Já o uso de questões abertas obriga à análise de conteúdo, uma tarefa mais trabalhosa do que aquela associada às questões fechadas.Vantagens e desvantagens
3º Passo: Aplicação de um questionário piloto ou pré-teste.
Assim, quando a primeira versão do questionário fica pronta, com a formulação de todas as questões e a sua ordem são fixadas, é necessário garantir que o questionário seja, de facto, aplicável e que responda efectivamente aos problemas colocados pelo investigador (Ghiglione e Matalon, 1993, p.172). O investigador deve-se interrogar sobre vários aspectos, sobre cada uma das questões, sobre o questionário na sua totalidade e às condições da sua aplicação. Como referem estes autores, ao efectuar um pré-teste do questionário o investigador tem acesso a dados sobre como são compreendidas as questões e as respostas, permitindo a sua reformulação, de forma a evitar erros, no entanto, não assegura a aceitabilidade do questionário na sua totalidade, nem a sua correcta adaptação às necessidades da investigação.
Necessidade da explicitação da medida proposta e dos processos de codificação
“Para aplicar um questionário, é necessário saber fazer análise estatística; as respostas só são úteis no âmbito de um tratamento quantitativo, que permite comparar as respostas globais e analisar as correlações entre as variáveis” (Jorge, 2011). Berelson (1952), a este propósito afirma que ”os estudos serão produtivos na medida em que as categorias sejam claramente formuladas e bem adaptadas ao problema e ao conteúdo a analisar”.
Análise de dados
Características do atributo a medir.
Pré-requisitosDe acordo com Quivy (2005) podemos:
O Conceito
Goetz e LeCompte (1984), afirmam que o estudo teórico/análise de dados é visto “como um processo cognitivo de descoberta e manipulação abstracta de categorias e de relações entre essas categorias”.
Tarefas
Miles e Huberman (1984, citados em Flores, 1994), dividem a análise em três conjuntos de tarefas:
- Redução de dados
Para Bogdan e Byklen (1994), os processos mais representativos são:- Categorização pretende fornecer uma representação simplificada dos dados de modo organizados. O objectivo da investigação é transformar a informação
obtida junto dos participantes em algo que seja interpretável, que tenha significado para o investigador: as chamadas categorias de análise.
- Codificação pretende tratar o material para se atingir uma melhor representação do seu conteúdo. A codificação corresponde a uma transformação, efectuada
segundo regras precisas, dos dados brutos do texto que, por recorte, agregação e enumeração, permite atingir uma representação do conteúdo capaz de
esclarecer acerca das características do texto.
- Apresentação dos dados
Os procedimentos para a apresentação de dados dependem se a análise recorre à quantificação ou se é uma análise qualitativa (Flores, 1994). No caso dos questionários, pode ser feita sob a forma de uma matiz numérica, onde os valores de cada célula irão corresponder às frequências alcançadas nas diferentes categorias de cada unidade considerada, sendo essencial o uso de programas informáticos, através dos quais será realizada uma análise quantitativa dos dados (Quivy, 1995), utilizando-se para o seu tratamento a estatística inferencial.Estatística inferencial é a designação atribuída ao conjunto de técnicas analíticas utilizadas para se identificar e caracterizar relações entre variáveis. Bailey e Gatrell (1995), Assunção (2001) entre outros, propõem como principais componentes:
• Teste de Hipóteses;
• Diagrama de Dispersão;
• Coeficiente de Correlação;
• Análise de Regressão;
• Análises de Séries Temporais;
• Análises Multivariadas.
- Conclusões
Segundo Flores (1994), as tarefas de redução (categorias obtidas no processo) e apresentação de dados (numa matriz, quadro, figura, entre outros), permitem fazer afirmações que progressivamente avançam desde o descritivo ao explicativo e desde o concreto ao abstracto, pressupondo algum tipo de conclusões sobre a estrutura do estudo.A Finalidade
A análise de conteúdo pretende produzir inferência, trabalhando com vestígios e índices postos em evidência por procedimentos mais ou menos complexos (Franco, 2005, p. 25).
As qualidades das técnicas de medida
“A parte referente à avaliação da tarefa concentra-se em duas características ou qualidades de todas as técnicas de medida, ou seja, a validade e a fidelidade” (Tuckman, 2000). A validade poderia ser definida como a adequação entre os objectivos e os fins sem distorção dos factos. Refere a qualidade dos resultados da investigação no sentido de os aceitar como “factos indiscutíveis”.
Tuckman (2000) refere dois tipos de validade:
Para Tuckman (2000), a fidelidade dos resultados:
As estratégias básicas para a validade
Merrian (1988), considerou para a validade interna:
A validade externa está directamente ligada à confiança nos resultados da investigação, a fim de ser possível generalizá-los. “A validade externa tem pouco valor sem um razoável grau de validade interna, dando confiança às nossas conclusões, antes de tentarmos generalizá-las”.
Todo este percurso implica uma reflexão e posterior divulgação.
Competências necessárias ao investigador
Um investigador deve possuir determinadas competências a fim de não comprometer a validade do seu questionário. Segundo Jorge (2011, s.12), a aplicação de um questionário exige que o investigador:
Por outro lado, um investigador deve ser uma pessoa determinada, pois na fase de elaboração de um pré-teste de questionário ou de uma entrevista, ele deve saber exactamente o que procura; deve garantir que as questões tenham o mesmo significado para os inquiridos e deve saber abordar os diferentes aspectos da questão. (Ghiglione e Matalon, 1993, p.115). Para além dos conhecimentos que deve possuir, o investigador deve ser uma pessoa sensata e experiente, dado que deve garantir a coerência no conteúdo das questões que formula e na sucessão de temas. Assim, a qualidade do questionário está dependente do saber-fazer do investigador: “Apesar da importância, a redacção do questionário continua dependente do saber-fazer e da experiência do investigador.” (Ghiglione e Matalon, 1993, p.122) Um investigador, de forma geral, é uma pessoa culta, mas não deve deixar que essa característica condicione a compreensão do questionário por parte dos inquiridos. Deve, como tal, recorrer ao uso de uma linguagem simples adequada à amostra. Contudo, a sua linguagem não deverá ser demasiado simplista, pois o seu trabalho poderá perder alguma credibilidade por parte dos entrevistados/inquiridos: “...as pessoas inquiridas consideram, geralmente o entrevistador como alguém culto, pelo que considerariam bizarro vê-lo empregar algumas expressões populares ou familiares, mesmo que estas façam parte da sua própria linguagem” (Ghiglione e Matalon, 1993, p.134). Acima de tudo, deve ser alguém que confia no seu trabalho e que detém uma postura objectiva, pois deve ser “confiante na sua razão e inclinação em utilizar estas capacidades mais do que em outras estratégias para responder a problemas, por exemplo, tomando decisões baseadas na Eevidência científica e respondendo aos valores e interesses dos indivíduos e sociedade”. (Banning, 2006)
Consultar mapa conceptual - "Etapas de um Questionário" http://www.popplet.com/app/#/2718
Referências
Bailey, T.; Gatrell, A. Interactive Spatial Data Analysis. London: Longman Scientific and Technical, 1995.
Badin, L.(1979). Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70.
Berelson, B. (1952), Content Analysis in Communication Research, New York, The Free Press, 1952.
Bogdan, R.; Biklen, S. (1994). Investigação Qualitativa em Educação.Colecção Ciências da Educação. Porto: Porto Editora
Franco, B. Análise de conteúdo. 2. ed. Brasília: Líber Livro, 2005. Silva, E.L.; Menezes, E.M.
Goetz, J. e Lecompte, M. (1984). Ethnography and Qualitative Design in Educational Research. Orlando: Academic Press, Inc.
Ghiglione, R. & Matalon, B. (1993).O Inquérito - Teoria e Prática. (Tradução Portuguesa) Segunda Edição. Celta Editora. Oeiras
Gómez, G.; Flores, J. e Jimenéz, E. (1999).
Hair, Jr, Joseph F. et al. (2005). Fundamentos de Métodos de Pesquisa em Administração, Porto Alegre: Bookman.
Jorge, I. (2011). Inquérito por Questionário. Acedido em 10 de Fevereiro de 2011 em: http://meduc.fc.ul.pt/file.php?file=%2F340%2Finvestigacao_por_questionario_1.pdf
Quivy, R. e Campenhoudt, L. (2005), Manual de Investigação em Ciênicas Sociais, 4ª ed., Lisboa: Gradiva.
Merriam, S.(1988). Case study research in education: A qualitative approach. San Francisco, CA: Jossey-Bass.
Sampieri, R.; Collado, C. e Lucio, P. (2006). Metodologia de Pesquisa, 3ª ed., São Paulo: McGraw-Hill.
Tuckman, B. (2000). Manual de Investigação em Educação (Tradução Portuguesa). Lisboa. Fundação Calouste Gulbenkian
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Grupo 4 ( Filipe Pereira, Helena Correia, Isabel Baia e Paula Martins)
Amostragem
População e Amostra
Uma população é uma colecção de unidades individuais, que podem ser pessoas, animais, resultados experimentais, com uma ou mais características comuns, que se pretendem
analisar.
Obs.
• Podemos também definir população como um conjunto de elementos abrangidos por
uma mesma definição.
• A cada elemento da população dá-se o nome de unidade estatística.
• O número de elementos da população designa-se por dimensão da população e representa-se por N.
• A dimensão da população pode ser finita ou infinita
Uma amostra é um conjunto de dados ou observações recolhidas a partir de um subconjunto da população.
Obs.
O número de elementos que fazem parte da amostra designa-se por dimensão da amostra
e representa-se por n .
Métodos formais de Amostragem
Segundo Neto ( 1977), um estudo de análise estatitisca envolve aspectos importantes sobre as formas de amostragem, sendo sempre necessário garantir que a amostra ou amostras que serão utilizadas sejam obtidas por processos adequados. Resumindo podemos dizer que é necessário garantir que a amostra seja representativa da população.
Sendo os problemas de amostragem por vezes mais ou menos complexos, dependendo das populações e das variáveis que se deseja estudar, existem dois tipos de amostragem, o probabilistico e o não probabilistico, de forma a ser possivel aplicar a qualquer estudo. A amostragem probabilistica tem como principal vantagem permitir calcular o erro amostral e a precisão da amostra obtida, baseando-se nos resultados contidos na própria amostra, no entanto a amostragem não probabilística é muito importante, pois possibilita a elaboração de um plano amostral, quando é impossível ou inadequada a amostragem probabilística.
Representatividade e significância das amostras
A representatividade de uma amostra é a condição mais importante numa investigação, nomeadamente quando se pretende generalizar os resultados obtidos com uma amostra à população. Para que tal generalização seja possível, é necessário que a população se encontre "reflectida" na amostra considerada. A representatividade de uma amostra numa investigação requer a salvaguarda de alguns princípios ou tem as suas exigências próprias:
( i) o conhecimento prévio das caracteristicas da população relevantes para o estudo em questão;
(ii) o conhecimento da distribuição da população por tais caracteristicas identificadas ( variáveis) e
(iii) a utilização de um procedimento correcto de amostragem
A possibilidade de calcular a tamanho de uma amostra é muito útil se queremos partir para o estudo com alguma confiança sobre a possibilidade de, no futuro, podermos extrapolar os nossos resultados para a população. Por outras palavras, a dimensão da amostra tem tudo a ver com a precisão dos intervalos de confiança que queremos vir a ter quando fizermos os nossos cálculos.
Nas Ciências Sociais é mais dificil definir a dimensão das amostra, devido ao facto de ser mais dificil definir quantos sujeitos deve possuir uma amostra para que a mesma seja significativa. Esse número deve ser compatível com a representação da população, ou seja, a amostra deve ser suficientemente grande para garantir a representatividade. Do mesma modo, o tamanho da amostra depende do número de condições ou variáveis em estudo. Por norma, sugere-se um número mínimo de 10 sujeitos por cada condição, aceitando-se também como consistente uma amostra de 300 sujeitos em estudos de validação de instrumentos com um número elevado de itens (nas análises estatísticas envolvendo a intercorrelação dos itens entre si tenderíamos a multiplicar o número de itens por 10 sujeitos).
A estimativa do tamanho da amostra pode ser feita tomando a definição prévia do nível de confiança e do erro de estimativa. Algumas tabelas permitem-nos determinar o tamanho da amostra e o nível correspondente de confiança face ao N da população. Para estimar o tamanho da amostra é necessário conhecer o nível de confiança que se quer que os dados possuam (geralmente opta-se por um nível de confiança de 95 ou 99%, e um erro de estimativa máximo de 5% ou 1%). De acordo com Krejcie & Morgan (1970) é possível ter uma estimativa do valor de n da amostra, conhecido o N do universo, para uma probabilidade de erro nunca superior a 5%. No quadro seguinte são sintetizados alguns dos valores para o tamanho da amostra em função do N na população.
Estimativa do n da amostra em função do N da população (adaptado de Krejcie & Morgan, 1970)
Neto,Pedro L. C.(1977) Estatística. Ed. Blucher Ltda
Krejcie, R. V., & Morgan, D. W. (1970). Determining sample size for research activities. Educational and Psychological Measurement, 30, 607-610.
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GRUPO 5 ( Alfredo Pinto, Edmaro Peres e César Barros)
Introdução
O questionário é frequentemente utilizado na realização de estudos de investigação, em sondagens e em inquéritos. Na sua elaboração é necessário ter em conta a população-alvo e os riscos associados à utilização desta técnica de recolha de dados.
A elaboração de um bom questionário é uma tarefa complexa que requer a articulação de diversos factores, nomeadamente, as variáveis de investigação, os objectivos e as características da população. Outros aspectos importantes estão relacionados com o tipo de perguntas (pessoais ou que causem embaraço) a ordem e forma das mesmas (questões abertas/fechadas), tipo de vocabulário utilizado e instruções de preenchimento (devem ser breves e claras).
Quando se solicita a elementos da população-alvo, o preenchimento de um questionário poderão ocorrer situações que comprometam a fiabilidade das respostas devido a: falta de sinceridade, tendência a responder de forma uniforme a todas as perguntas, desconfiança relativamente aos verdadeiros objectivos do inquérito e existência de preconceitos favoráveis /desfavoráveis relativamente ao investigador e/ou ao tema em estudo, iliteracia (ou a incapacidade para perceber ou interpretar o que é lido), influência externa (pessoas/consulta de documentação e a proximidade de outras pessoas que possam exercer influência sobre o inquirido), escolha do entrevistador(es) pode ter que obedecer a algum critério.
Na sua aplicação também devem ser considerados factores relacionados com a aplicação do questionário, o local de realização do questionário, a forma de estabelecer o contacto (ou abordagem) e as vantagens e desvantagens da utilização do correio, electrónico ou postal para enviar os inquéritos e a forma de registo (áudio e/ou vídeo).
Os lugares
A aplicação de questionários ocorre em diversos locais: lugares de passagem, casas das pessoas, etc., com as condicionantes próprias de cada um desses lugares.
Nos locais de passagem podem ser contactadas muitas pessoas, no entanto, são poucas as que aceitam responder aos questionários, porque estão geralmente apressados e em trânsito para as suas ocupações, residências, etc.
Nos locais públicos (cafés e praças), existe uma maior disponibilidade embora falte a reserva necessária ao preenchimento dos questionários e ao esclarecimento de dúvidas.
A realização do inquérito na casa das pessoas, embora seja recomendável, também, levanta dificuldades relacionadas com a falta de privacidade.
Os locais de espera podem reunir boas condições para a realização do inquérito, embora, por vezes, a ansiedade das pessoas seja impeditiva da concentração adequada ao preenchimento do questionário.
Nos locais de trabalho e depois de obtida a autorização da entidade patronal, a figura do aplicador do questionário pode ser associada à entidade patronal, o que pode prejudicar a espontaneidade e a sinceridade das respostas.
O contacto
O contacto com os elementos da população-alvo, requer uma prévia preparação por parte do investigador de forma a que o aplicador do questionário possa resolver as diferentes situações que possam ocorrer.
No estabelecimento do contacto o aplicador deve (poderá) esclarecer o participante sobre os objectivos do inquérito, as entidades promotoras do estudo, etc (depende se quem solicitou o inquérito pede anonimato, não deseja revelar a finalidade por motivos concorrenciais ou por razões cientificas).
O contacto pode ocorrer de diferentes maneiras, desde a abordagem directa, na rua ou à porta da casa até ao aviso prévio através de anúncio por carta ou telefone/correio electrónico.
Questionários auto-administrados e inquéritos postais
A entrega dos questionários através de email ou por correio postal tem vindo a generalizar-se devido às suas vantagens (economia, anonimato, etc). No entanto, esta metodologia está associada a uma baixa taxa de respostas e requer um cuidado acrescido com a linguagem utilizada e com as instruções de preenchimento.
Outra forma de realização de inquéritos através de questionários consiste na elaboração de um questionário online utilizando as diversas ferramentas que se encontram disponíveis. Para além da GoogleDocs, encontram-se disponíveis as seguintes ferramentas para a criação de inquéritos online: Surveymonkey, Zoomerang, Surveygizmo, Questionpro, Magic survey tool , Survey Methods, Lime Survey , Thesis Tools e 2Ask .
Face à crescente divulgação dos inquéritos online, Dillman et al. identificaram um conjunto de três critérios e de onze princípios que devem ser considerados na avaliação e elaboração deste tipo de questionários e que podem ser consultados no endereço: http://metinvestiga.wordpress.com/2010/03/04/principios-dos-questionarios-online/.
Referências
Ghiglione, R., & Matalon, B. (1993). O inquérito. Teoria e prática. Oeiras: Celta Editora.